Bem-Vindos

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

SÉRIE CONSOLO PARA OS QUE CHORAM: “OI PAI, OI MÃE, SOU EU – SEU FILHO!”


Não era para ser assim! A morte não estava nos planos de Deus. A Bíblia enfatiza que ela é o fruto amargo do pecado (Romanos 6. 23). Os Evangelhos relatam que o Senhor Jesus verteu lágrimas diante da sua assustadora realidade (João 11.35) - é evidente que o choro do nosso Mestre não foi de impotência, mas de tristeza diante da realidade trágica que o pecado proporcionou à obra prima da criação de Deus.  A morte mostra sua face mais cruel ao ceifar vidas ainda jovens, tirando-os da convivência dos pais. É sempre embaraçoso e desafiador consolar corações cujos filhos morreram no desabrochar da vida. Evidentemente não é fácil enterrar os pais, mas o contrário é infinitamente mais doloroso, frustrante e inquietante.  Como trazer consolação para uma mãe – ou pai – diante da duríssima realidade da morte de um filho?  Em muitas ocasiões, exercendo o meu ofício, me encontro sem palavras diante desse tipo de dor. Contudo, há consolação na Palavra de Deus para esse tipo de experiência. Nesse artigo apresento a experiência de dois homens de Deus diante da morte de seus filhos: Ló e Davi.

JÓ, QUASE TUDO PERDIDO

A história de Jó é bastante conhecida. Esse homem perdeu quase tudo: filhos, bens materiais, saúde e honra. Porém, no último capitulo do Livro da sua vida, 42, tudo lhe é restituído. Eu chamo sua atenção para um detalhe que às vezes passa despercebido. Antes da sua terrível provação, o capítulo primeiro narra as virtudes e as riquezas de Jó: possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Além dos bens materiais, possuía uma bela família constituída de dez filhos – três moças e sete rapazes. Certamente você sabe o que vem depois... perdeu quase tudo. Agora, o último capítulo do Livro de Jó é revelador. Depois do temporal, Deus lhe restituiu em dobro (Jó 42.10): “Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”.  E em relação aos filhos que foram mortos? Diz o verso 13: “Também teve outros sete filhos e três filhas”. Ora, pela lógica graciosa de Deus, Jó deveria ter o dobro de filhos, ou seja vintes filhos; mas Deus manteve a mesma quantidade anteriormente. Mas eu garanto pra você que Deus restituiu seus filhos em dobro. Sabe o porquê? Por que filhos não se perdem dos pais mesmo diante da realidade da morte. Jó não os perdeu, ele continuou com os dez, e Deus concedeu mais outros dez. É bem verdade que  Jó temporariamente viveu sem o convívio integral com todos, mas certamente respirando a certeza que a esperança proporciona de um reencontro com todos eles em um banquete no qual Jesus será o anfitrião. Isso nos leva a outro personagem do Velho Testamento que viveu a mesma experiência, o rei Davi.

DAVI, ESPERANDO A RESSURREIÇÃO

No segundo Livro de Samuel, capítulo 12, há o relato da comovente experiência de Davi, diante do poder destrutivo da morte (Aliás, por causa do seu pecado de adultério e assassinado, sua vida foi marcada por histórias trágicas). O relacionamento pecaminoso entre Davi e Bate-Seba (mulher de Urias) gerou uma criança. Mas, o rei de Israel deu motivo para que os inimigos do Senhor blasfemassem, por isso Deus feriu a criança, e essa adoeceu gravemente. Davi buscou Deus incessantemente por meio de orações e jejum - prostrando-se em terra durante uma noite. Depois de sete dias de intensa agonia morreu a criança. Os servos de Davi temia em dar-lhe a notícia porque diziam: “Eis que, estando a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança é morta? Porque mais se afligirá”. Porém, Davi surpreende seus servos: ele se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na casa do SENHOR e adorou; depois, veio para a sua casa e  pediu pão; puseram-no diante dele, e ele comeu (2 Samuel 12.20). Seus criados não entenderam as atitudes do rei, e indagaram-no: “Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que ela morreu, te levantaste e comeste pão”. A resposta de Davi foi reveladora: “Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o SENHOR se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar?” – veja o finalzinho da resposta de Davi – “Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. Notem: “Eu irei a ela...”. O rei não perdeu essa criança, apenas temporariamente foi ela tirada dos seus braços!  A certeza do reencontro mitigou o luto do coração!


Diante dessas experiências recebemos conforto quando confrontados com o poder da morte. Há esperança! Talvez você – ou alguém conhecido seu – perdeu um filho, e vive com o coração pesado pela dor do luto. Saiba: Você não o perdeu, ele continua vivo aguardando o feliz reencontro com os seus braços. Creio que até os filhos abortados ainda no útero, ressuscitarão. Um dia você receberá um tapinha nas costas, e ouvirá: “Oi pai, oi mãe, sou eu -seu filho”! “E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Amém!!!
Rev. Naziaseno Cordeiro Torres